Subclássicos: BIG BLACK — Atomizer (1986)
Discoteca Básica de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas
Lançado em 1986, Atomizer é um proverbial soco no estômago do rock oitentista. Com esse álbum, o Big Black — liderado por um jovem e já inquieto Steve Albini — levou o noise punk ao limite da desumanização, abraçando ritmos industriais e distorções abrasivas como extensões da violência urbana, do sarcasmo e da falta de propósito da american way of life.
Nada em Atomizer é neutro ou confortável. Desde o início com “Jordan, Minnesota”, o ouvinte é arremessado em um mundo claustrofóbico, alimentado por guitarras ásperas tocadas com efeitos inimitáveis, baixo ultra-distorcido e as batidas opressivas de uma Roland TR-606. Albini não canta — ele acusa, ridiculariza, narra horrores cotidianos com frieza desconcertante. “Kerosene”, a mais conhecida do álbum, usa um riff repetitivo e um refrão explosivo para ilustrar o tédio e a violência juvenil em uma realidade vazia americana. É um dos retratos mais viscerais e desoladores do niilismo suburbano já registrados.
Ao contrário do hardcore politizado da época, o Big Black rejeitava qualquer esperança ou idealismo. A ironia, o sarcasmo e a misantropia davam o tom. Apesar da sua rispidez — ou talvez por causa dela —, Atomizer foi um marco na música subterrânea, e ao lado do álbum seguinte Songs About Fucking (1987), antecipou muito do que viria depois no noise rock, no industrial e no post-hardcore. Bandas como Ministry, The Jesus Lizard, Uniform e The Austerity Program devem carreiras a ele.
Atomizer não é um disco fácil, e nunca tentou ser. É uma obra que redefine os limites do que se pode fazer com guitarras, distorção e desprezo. Um clássico que quase quarenta anos depois ainda soa incendiário.
Ouve essa aqui: “Kerosene”
BIG BLACK — Atomizer
Lançamento: 01/jan/1986
Selo: Homestead, Touch and Go
Tags: #noise-rock, #industrial-rock
Produção: Iain Burgess, Big Black



