Subclássicos: BRIAN ENO — Ambient 1: Music For Airports (1978)
Discoteca Básica de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas
Quando Ambient 1: Music for Airports foi lançado em 1978, BRIAN ENO já mantinha uma carreira consolidada tanto por colaborações com nomes como Roxy Music e David Bowie quanto pela experimentação sonora. Depois de álbuns solo como Another Green World e Discreet Music (ambos de 1975) onde já flertava com ambiências e texturas, e especialmente após suas colaborações com Cluster e Harmonia, Eno começava a formular uma ideia que mudaria profundamente a música contemporânea: a de que uma obra poderia influenciar um ambiente sem exigir atenção constante do ouvinte. Ambient 1: Music for Airports é a primeira materialização completa desse conceito.
A inspiração surgiu de uma experiência frustrante em um aeroporto. Durante uma longa espera no aeroporto de Cologne na Alemanha, Eno passou a perceber como a música ambiente utilizada nesses espaços era incapaz de transmitir calma, tornando a espera ainda mais impessoal. Sua proposta era criar uma música “tão ignorável quanto interessante”, capaz de coexistir com o ambiente em vez de dominá-lo. Nascia assim o termo ambient music, não apenas como descrição de um estilo, mas como uma nova maneira de pensar a função da música.
Musicalmente, o álbum abandona o ritmo tradicional e trabalha quase exclusivamente com camadas de piano, sintetizadores e vozes processadas. Em vez do desenvolvimento linear do formato canção, as peças evoluem lentamente através de repetições, pequenas variações e sobreposições que nunca se repetem exatamente da mesma forma, provocando um estado de irrealidade no ouvinte. Há ecos do minimalismo de Steve Reich e Terry Riley, influências da kosmische musik do Tangerine Dream e Cluster, além da influência da música erudita contemporânea e das ideias generativas que Eno desenvolveria ao longo de toda a carreira. O resultado não é uma coleção de canções, mas um espaço sonoro que parece suspender a percepção do tempo.
A importância de Music for Airports vai muito além do gênero ambient. O álbum abriu caminho para boa parte da música eletrônica contemplativa das décadas seguintes, influenciando nomes como The Orb, Aphex Twin e Boards of Canada. Também deixou marcas no cinema, na arte sonora, na arquitetura e até na tecnologia — é dele a vinheta de abertura do Windows 95 da Microsoft, ajudando a consolidar a ideia de que o som pode ser parte da construção do cotidiano.
Brian Eno mantém até hoje uma extensa carreira que já conta com dezenas de trabalhos solo, além de colaborações e produções para artistas como Talking Heads, U2 e Coldplay. Na carreira solo sempre explorou a serendipidade sonora como instrumento de experimentação, algo que rascunhava desde os anos 70. Com Ambient 1: Music for Airports Brian Eno propôs uma nova abordagem da música não como determinante de uma realidade, mas como um elemento que a influencia.
Ouve essa aqui: “1/1”
BRIAN ENO — Ambient 1: Music For Airports
Lançamento: 1978
Selo: E.G., Polydor, PVC
Tags: #ambient, #electronic
Produção: Brian Eno




O Brian Eno abriu um universo muito especial para mim. Cheguei até ele caçando música ambiente no youtube para colocar de fundo nas aulas de pilates do meu pai (ele é instrutor). A partir daí, conheci a tetralogia do Ambient Music, que tem a participação de outro grande nome: Harold Budd. Daí cheguei em Cocteau Twins, Slowdive e vários outros artistas com um estilo mais etéreo. Esse tipo de música que nos faz flutuar a la Julee Cruise é um som realmente mágico para mim.
A primeira vez que ouvi esse disco, fiquei em choque. A primeira música continua me emocionando e embasbacando toda vez que ouço. Mudou tudo para mim!