Subclássicos: SILVERFISH — Fat Axl (1990)
Discoteca Básica de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas
Fat Axl, álbum de estreia do SILVERFISH, é um dos artefatos mais caóticos e subestimados da cena subterrânea britânica do início dos anos 90. Surgido no epicentro da chamada Camden Lurch, microcena inventada pela imprensa inglesa que agrupava três ou quatro bandas barulhentas que frequentavam os clubes de Camden Town em Londres, o álbum captura um momento em que o rock alternativo britânico buscava um espaço entre a ressaca da cena Madchester (Stones Roses, Happy Mondays) e as fagulhas do britpop prestes a explodir.
Gravado por um então iniciante e desconhecido Steve Albini, lançado pelo pequeno selo britânico Wiiija e distribuído nos EUA pela Touch And Go, Fat Axl é uma colisão de influências. Há o DNA abrasivo dos Stooges e do MC5, a brutalidade industrial do Big Black e a tensão do post-punk mais confrontacional de bandas como Birthday Party e Killing Joke. Ao mesmo tempo, o álbum compartilha afinidades com o nascente noise-rock americano de bandas como Sonic Youth e Fugazi, além de toda a cena riot grrrl das Babes In Toyland e Bikini Kill. “Não é easy listening de forma alguma”, resumia o jornalista Fernando Naporano no encarte do Another Kind of Noise, seminal coletânea lançada em 1992 apresentando algumas das bandas mais barulhentas das ilhas britânicas.
O som do Silverfish era anárquico e visceral. As guitarras ásperas e abrasivas, com o guitarrista Andrew “Fuzz” Duprey trocando timbres de distorção diversas vezes durante a música, junto com a bateria desenfrada criavam o que a própria banda denominava “noise you can dance to”, provocando no público os movimentos espasmódicos que a imprensa passou a chamar de “lurch” (“solavanco”). E o vocal da Leslie Rankine adicionava uma camada extra de tensão e fúria na melhor escola Lydia Lunch.
Embora nunca tenha alcançado grande sucesso comercial, Fat Axl ajudou a consolidar uma ponte estética entre o noise-rock americano e a vertente mais demente do alternativo britânico pré-britpop. Seu impacto é perceptível na forma como bandas posteriores abraçaram a mistura de distorção, performance extrema e danças lembrando algum ritual anárquico.
O Silverfish encerraria as atividades em 1993, após um segundo álbum (Organ Fan) lançado sem muito alarde. A vocalista Leslie Rankine foi a única que seguiu carreira na música, tendo se mudado para Seattle, formado uma nova banda chamada Ruby, participado do coletivo industrial Pigface ao lado de Martin Atkins (PIL), Bill Rieflin (Ministry) e Michael Gira (Swans), antes de voltar para a Escócia e abandonar a carreira musical. O legado de Fat Axl permanece mais de três décadas depois como o registro de um momento em que o rock subterrâneo britânico ainda podia ser estranho, perigoso e profundamente barulhento.
Ouve essa aqui: “Pink ‘n’ Lovely”
SILVERFISH — Fat Axl
Lançamento: 1990
Selo: Wiiija Records, Touch And Go
Tags: #noise-rock
Produção: Steve Albini



