Subclássicos: THROBBING GRISTLE — 20 Jazz Funk Greats (1979)
Discoteca Básica de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas
A inocência da capa e o título são puro golpe. Throbbing Gristle foi uma das bandas mais radicais da virada dos anos 70 para os 80, e 20 Jazz Funk Greats é um dos álbuns mais desconcertantes e influentes da música eletrônica experimental. Tudo é provocação — não há jazz, funk, 20 faixas e certamente não há “greats” aqui. Em vez disso, o que se ouve é um conjunto de peças eletrônicas minimalistas temperadas com dissonância, ruído ambiente e temas que variam de manipulação psicológica a experimentações com sexualidade e poder.
O Throbbing Gristle nasceu das cinzas do coletivo performático COUM Transmissions, fundado por Genesis P-Orridge e Cosey Fanni Tutti. Suas apresentações envolviam sangue, pornografia, órgãos de animais e improvisação com qualquer instrumento que estivesse à mão. A banda, completada por Chris Carter e Peter "Sleazy" Christopherson, autodenominou sua música de “industrial” não como estilo, mas como propósito: fundaram seu próprio selo, Industrial Records, e criaram uma estética fria e sem concessões, feita para desmontar expectativas de arte, política e moral.
O álbum abre com o minimalismo e os sussurros da faixa-título, soando como um dark room em fim de festa. A sinistra e proto-dark-ambient “Beachy Head” pega emprestado o nome da bucólica paisagem turística da capa, famosa pela quantidade recorde de suicídios na Inglaterra. A synthpop “Hot on Heels of Love” é o mais próximo de algo que possa parecer um hit, soando como uma Donna Summer sadomasoquista. “Walkabout” lembra algo de Kraftwerk ou Cluster, mas algo parece fora do lugar. “Persuasion” tem um arranjo minimalista e a voz de P-Orridge murmurando uma letra sobre manipulação sexual, soando como um Eraserhead ainda mais neurótico. “Six Six Sixties” se aproxima de um mantra industrial, com um baixo distorcido e um vocal lembrando Lou Reed nos seus momentos mais paranóicos. O disco parece sedutor, mas vai revelando sua perversidade a cada faixa.
O impacto de 20 Jazz Funk Greats foi profundo. Sem ele não existiriam bandas como Cabaret Voltaire, Einstürzende Neubauten, Nine Inch Nails ou mesmo Aphex Twin e Burial, que herdam o clima de desconforto emocional e a estética industrial/digital. Throbbing Gristle mostrou com este álbum a ideia de que o industrial é menos um estilo e mais um modo de produção cultural, fazendo arte a partir das ruínas emocionais e tecnológicas do mundo moderno.
Ouve essa aqui: “Hot on Heels of Love”
THROBBING GRISTLE — 20 Jazz Funk Greats
Lançamento: dez/1979
Selo: Industrial
Tags: #industrial, #synthpop, #experimental
Produção: Sinclair/Brooks




Ótimo texto para um discaço!