Subclássicos: WHITEHOUSE — Birthdeath Experience (1980)
Discoteca Básica de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas
“A música mais brutal e extrema de todos os tempos”. Era assim que o WHITEHOUSE, projeto britânico de noise, se autodenominava no encarte de todos os seus álbums. Não era exagero. Em 1980, ano do seu álbum de estreia Birthdeath Experience, pouca coisa chegava perto em termos de crueza e confrontação. O Whitehouse, junto a artistas como Throbbing Gristle e SPK, foi responsável por definir a estética e a filosofia do que se convencionou chamar de power electronics: uma extensão ainda mais extrema do industrial, com letras e temas deliberadamente provocativos, e o objetivo de explorar os limites do aceitável na arte.
Gravado com equipamento mínimo, fitas saturadas, sintetizadores analógicos e medidores no vermelho buscando a distorção máxima, Birthdeath Experience mergulhou em drones abrasivos, pulsos eletrônicos brutais e vocais que personificam o desespero humano. As influências vinham tanto da tradição do noise japonês (Hijokaidan, Merzbow) quanto da eletrônica experimental europeia (Faust, Kluster) e da música de vanguarda (Alvin Lucier, Yoko Ono). Em contrapartida, a obra do Whitehouse influenciaria diretamente toda uma geração de artistas extremos como Prurient, Wolf Eyes, Ramleh e até artistas brasileiros mais contemporâneos como o Kovtun e o VICTIM! de Cadu Tenório.
“On Top” abre o álbum com uma camada de ruídos servindo de base para efeitos e berros amedrontadores — não tente dormir ouvindo isso. “Mindphaser” é ainda mais sufocante, com um ruído constante e uma letra perturbadora sobre dominação. “Rock And Roll” mistura gritos sob efeitos ultra-saturados com uma base de ruído minimalista, fórmula que também aparece em “The Second Coming” e “Coitus”. Há um equilíbrio geral entre minimalismo e brutalidade, onde cada som parece calculado para criar tensão física no ouvinte. A faixa-título, com seus três minutos e meio de apenas silêncio, encerra o álbum como quem apaga as luzes num porão depois de um interrogatório. Birthdeath Experience parece até comedido em comparação a álbuns posteriores ainda mais extremos como Erector (1981), Great White Death (1985) e Bird Seed (2003), mas é aqui que todo um novo gênero estava sendo rascunhado e testado.
O Whitehouse ainda seguiria uma carreira de quase 30 anos lançando álbuns com temáticas cada vez mais perturbadoras e questionáveis, colaborando com artistas como J. G. Thirlwell e Steven Stapleton (Nurse With Wound), gravando álbuns com Steve Albini, até encerrar suas atividades em 2009. Birthdeath Experience serve como um lembrete de que o ruído pode expandir o que se convencionou definir como música. Ou como William Bennett, fundador e único membro constante, diria em uma entrevista em 1990: “Lembro de ter lido que tudo o que você precisava para fazer música punk era aprender três acordes. Por que alguém precisaria saber três acordes para fazer música?”.
Ouve essa aqui: “On Top”
WHITEHOUSE — Birthdeath Experience
Lançamento: set/1980
Selo: Come Organisation
Tags: #noise, #power-electronics
Produção: William Bennett



