Subsensor 07/ago: PAPANGU
Edição recorde (21 lançamentos!). O destaque de capa é o PAPANGU lançando novo trabalho. +Álbuns e +singles de noise-rock, sludge, doom, eletrônico, experimental. No Subclássicos: BUTTHOLE SURFERS.
Mais uma sexta-feira repleta de lançamentos de música subterrânea.
Nessa edição recorde (21 lançamentos!) o destaque da capa são os paraibanos do PAPANGU lançando seu terceiro trabalho e conquistando o mundo. A edição ainda está recheada de álbuns e singles de noise-rock, sludge, doom, noise, eletrônico, experimental e diversas outras tags.
No Subclássicos dessa semana falamos sobre o Locust Abortion Technician (1987), clássico do noise-rock alucinado dos BUTTHOLE SURFERS. Também tem a playlist dos Subclássicos atualizada com (quase) tudo o que já rolou de Subclássicos, ouçam lá.
Para ouvir uma playlist com as faixas dessa edição, Ouve Essa Aqui.
Os sinais não param. Ouça o subterrâneo.
+ÁLBUNS
PAPANGU — Celestial
O quarteto de João Pessoa PAPANGU é uma das bandas mais singulares do rock brasileiro contemporâneo. Celestial, seu terceiro álbum, é um trabalho conceitual em dez partes que mistura prog retrô, MPB, black metal, zeuhl, ciranda e forró num único caldeirão, evocando Lô Borges, Alceu Valença e Hermeto Pascoal com a mesma naturalidade com que cita Blind Guardian, Gentle Giant e King Crimson. O release os chama de “generational mavericks”, algo como “inovadores que rompem com padrões geracionais”. A descrição é certeira.
Ouve essa aqui: “Taxidermia”
Celestial é um lançamento Deck, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
NEPTUNIAN MAXIMALISM — Nāgabhūtaṃ
Maximalistas até no nome, os belgas do NEPTUNIAN MAXIMALISM lançam seu quarto trabalho misturando avant-garde, doom, drone metal, space rock e música indiana. Nāgabhūtaṃ, expressão em sânscrito que signifca “se transformar em serpente”, é uma gravação ao vivo com o coletivo improvisando temas misturando drones, jazz e psicodelia oriental, expandindo ainda mais as fronteiras do metal experimental. Apertem os cintos que a viagem é longa.
Ouve essa aqui: “XIIII”
Nāgabhūtaṃ é um lançamento I, Voidhanger, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
THE BREEDLING — A Straunge And Terrible Wunder
THE BREEDLING é um projeto de um artista britânico chamado Chris Spalton que mistura drones eletrônicos, industrial doom e paisagens sonoras cinematográficas. “Stalker” é o primeiro single que antecipa A Straunge And Terrible Wunder, seu terceiro álbum, que se seguir a linha dos anteriores (Irukandji de 2023 e Detritus de 2024) certamente terão um espaço na lista de favoritos dessa coluna.
Ouve essa aqui: “Stalker”
A Straunge And Terrible Wunder é um lançamento Wrong Speed Records, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
PLEB — Grease Trap
PLEB é uma dupla inglesa que faz aquele sludge mais pútrido possível — as referências de Corrupted, Meth Drinker, Gawthrop, Moloch, Dystopia e Grief já ajudam a dar uma ideia. Grease Trap, seu álbum de estreia, fala sobre o colapso global, o fascismo em ascensão, “aquele bastardo laranja”, a tecnologia virando as pessoas pelo avesso, “e outras coisas divertidas”. O som do caras soa exatamente como tudo isso aí misturado.
Ouve essa aqui: “You And Me Baby Ain’t Nothing But Cannibals”
Grease Trap é um lançamento Human Worth, disponível no Bandcamp.
WEALTHY WOMEN — Children
WEALTHY WOMEN é um trio americano de noise-rock-sludge que chega ao álbum de estreia com raiva na medida certa. Children foi moldado pela maré crescente de desilusão desde as eleições americanas de 2024, e como diz o release, “à medida que o peso dos temas crescia, as afinações iam caindo junto para compensar”. Excelente trilha sonora para o noticiário das oito.
Ouve essa aqui: “Take It Back”
Children é um lançamento independente, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
IRON LININGS — Urban Abyss
Trio de St. Louis formado em 2020, o IRON LININGS se apresenta como “half noise rock/half post hardcore — all filler”, o que é um perfeito resumo do som dos caras. Urban Abyss é o seu álbum de estreia depois de alguns EPs e splits, e tem como eferências bandas como Refused, Hot Snakes e Kowloon Walled City. Para separar e ouvir alto.
Ouve essa aqui: “Error City”
Urban Abyss é um lançamento The Ghost Is Clear Records, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
GETS WORSE — No Bones
Quarteto de Leeds com quase 15 anos de estrada no circuito de powerviolence e grindcore britânico, o GETS WORSE volta com o primeiro álbum desde Teen Wolf (2023). No Bones tem 17 faixas curtas e grossas sem guitarras, apenas baixo, bateria, voz e (power)violência. A Decibel diz que quando pediu ajuda ao ChatGPT pra escrever a resenha, a IA respondeu que “o conteúdo viola suas políticas de material explícito”. Endosso melhor que esse não existe.
Ouve essa aqui: “Strong Lad”
No Bones é um lançamento RSR Records, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
+SINGLES
WRY — “Sob os Olhos da Multidão”
Entidade do shoegaze brasileiro na ativa há três décadas, o WRY lança o primeiro single do seu já nono álbum de estúdio. “Sob os Olhos da Multidão” é o mais barulhento e enérgico que a banda soou em anos. Nas palavras do vocalista Mario Bross, “não é uma letra sobre superação, é mais uma aceitação brutal de ser leal consigo mesmo, mesmo que isso traga algum tipo de ruptura”. O novo álbum, ainda sem título divulgado, está previsto para sair em novembro. Aguardemos. Ouça no YouTube.
DEB AND THE MENTALS — “WATCH OUT”
DEB AND THE MENTALS é um quarteto paulistano de punk-rock na ativa desde 2014. Depois de circular por festivais pelo país, a banda volta agora com “WATCH OUT”, novo single que antecipa STUCK, EP que, segundo a banda, “é um trabalho mais acelerado, pesado e agressivo, onde o hardcore punk ganha força total e expande ainda mais a intensidade da banda”. STUCK sai dia 13/ago via Algohits e Bradorecords. Ouça no YouTube.
SLEEP — “The Morrisist”
Eminência do stoner-doom defumado e viajante, o SLEEP está de volta com o primeiro material inédito desde o The Sciences de 2018. Mas voltou com mudanças — Matt Pike, lendário guitarrista-fundador, não faz mais parte da nova formação, que agora conta com Bubba Dupree da banda Void nas guitarras, e o onipresente Dale Crover dos Melvins na bateria. “The Morrisist” é o segundo single que antecipa Hempispheres, novo álbum previsto para sair dia 03/set via Third Man Records. Ouça no YouTube.
GATTA MORTA — “Black Hall”
Buzz Osborne (Melvins) compete com seu próprio baterista Dale Crover pra vem quem faz mais barulho. Poucos meses depois de lançarem Savage Imperial Death March, brutal colaboração do Melvins com o Napalm Death, Osbourne se junta a JD Pinkus (Butthole Surfers), Coady Willis (Big Business) e Clinton Jacob (Mr. Phylzzz) no supergrupo subterrâneo GATTA MORTA. O som do quarteto oscila entre riffs densos, psicodelia torta e aquele sludge-doom da era Lysol dos Melvins cruzado com o peso do Big Business. Osborne resume: “rock esquisito que precisava acontecer“. Que aconteça mais vezes. Burn Witch Burn já está disponível somente em formato físico pela Amphetamine Reptile e Ipecac Recordings. Ouça no YouTube.
THE BODY & CEL GENESIS — “Candy Crush”
THE BODY já é veterano na arte de produzir colaborações — Big|Brave, Full of Hell, Thou, Uniform e OAA são só alguns dos nomes mais recentes com quem a dupla já gravou. A colaboração da vez é com a CEL GENESIS, artista americana que trabalha com hyperpop e industrial. O resultado é o noise extremo do The Body colidindo com a eletrônica exploratória da Cel Genesis, soando denso e pesado por um lado e quase dançante de outro. Whole Wide World sai em 13/nov via Thrill Jockey. Ouça no Bandcamp.
FOREIGN BODY — “Libertines”
Mais uma banda que usa a ótima tag “scum rock” no Bandcamp, o FOREIGN BODY faz um noise-rock sujo e direto, ou como eles mesmos dizem no release, “raw, hideous and vulgar music”. Libertine já é o segundo álbum dos caras, e se já não bastasse a sujeira de “Libertines” e a capa não muito publicável, ainda citam Brainbombs, Couch Slut, Rectal Hygienics, Unsane, Chat Pile e The Birthday Party como influências. Excelente. Libertine sai dia 11/set via Brutal Panda Records. Ouça no YouTube.
DREARLEADER — “H&MRC”
“Post-crooner noise rock”. Essa é a descrição curta que o quarteto inglês DREARLEADER usa como apresentação, e é basicamente a única informação disponível por aí. O som dos caras é aquele sludge-noise-rock cascudo e áspero na linha Chat Pile e KEN Mode, perfeito pra ser ouvido alto. Com apenas um EP (10lb 5oz) lançado em 2024, a banda solta “H&MRC” como um single avulso, sem informação de algum álbum novo vindo por aí. Aguardemos com ansiedade por aqui. Ouça no YouTube.
GNOD — “The Witness / Ice Man”
Veteranos da psicodelia barulhenta, o GNOD celebra seu vigésimo ano de estrada com nada menos do que três álbuns produzidos juntos na mesma sessão de gravação. “The Witness” antecipa o segundo volume da trilogia Chronicles of Gnowt prometendo descer a mão nas guitarras explorando peso e repetição. Enquanto “The Witness” busca inspiração no groove rasgado do The Ex com uma viagem de riffs no final, “Ice Man” é um sludge sujo e arrastado na linha Melvins. Como sempre, expectativa imensa por aqui já. Chronicles of Gnowt (Vol 2) sai dia 09/out via Rocket Recordings. Ouça no YouTube.
CONVULSIF — “Monitor And Limit”
Quarteto suíço de noise-metal-jazz-grindcore na ativa desde 2014, o CONVULSIF anuncia Anatomy of Rage, seu quarto trabalho e primeiro desde Extinct, um dos álbuns favoritos de 2020 dessa coluna. Com uma formação inusitada de baixo, bateria, clarinete e violino processados e distorcidos, a banda mistura ritmos tortos, progressões hipnóticas, passagens meditativas e explosões sonoras, transitando entre doom, drone, noise, jazz e metal sem se fixar em nenhum deles. Anatomy of Rage sai dia 01/out via Mtaf Records, e é desde já um fortíssimo candidato a cravar um espaço na listinha de final de ano por aqui. Ouça no YouTube.
PRIVATE PRISONS — “Tyrants”
PRIVATE PRISONS é um trio americano que, como eles mesmos dizem, “combines sludge, doom, black, and death metal with drone, noise, hardcore, and experimental music”, todas tags altamente caras para essa coluna. O som é aquele paquiderme se movendo em um lodaçal em busca de propósito. “Tyrants” é o terceiro single de Theo Lacy, segundo álbum dos caras, previsto para 30/ago via Eclipse Media Collective. Expectativa altíssima por aqui. Ouça no YouTube.
SWAMP COFFIN — “Everything Is Nothing”
Trio britânico de stoner/sludge/doom, o SWAMP COFFIN volta com o primeiro single desde Drowning Glory, um dos álbuns favoritos de 2024 dessa coluna. "Everything Is Nothing" é um single avulso que celebra dez anos (ou “ten bastard years” como eles mesmos dizem) com a música mais intensa e furiosa que já fizeram. E vão além: “é o som de três caras que estão mais putos agora do que estavam há uma década, o que provavelmente diz algo sobre nós e definitivamente sobre os últimos dez anos”. "Everything Is Nothing" abre caminho para um álbum novo previsto para o início de 2027 pela APF Records, aguardamos com ansiedade por aqui. Ouça no YouTube.
HOLLOWASH — “Hollowash”
HOLLOWASH é um projeto paralelo de um músico italiano chamado Guglielmo Allegro, mais conhecido por aqui como mentor do excelente Void Sinker. Allegro explica que compôs diversas ideias que não se encaixavam no seu projeto principal, e criou o Hollowash como canal para escoar esse material. E assim como no Void Sinker, Hollowash busca inspirações em bandas de sludge-noise-doom como Neurosis, Ufomammut, WHORES., e Primitive Man. Que venham mais. Ouça no YouTube.
WATER DAMAGE — “Reel 45”
WATER DAMAGE é um coletivo de noise-rock/drone/experimental de Chicago formado por veteranos de bandas como Swans, Shit & Shine, USA/Mexico, Marriage e diversos outros. “Reel 45” é uma viagem lisérgica e ruidosa de 20 minutos que antecipa Repair, novo álbum composto de quatro faixas também de 20 minutos cada cujos títulos são simplesmente os números das bobinas na ordem em que foram gravadas. Repair sai dia 23/out via 12XU. Ouça no YouTube.
+SUBCLÁSSICO
Subclássicos: BUTTHOLE SURFERS — Locust Abortion Technician (1987)
Poucos álbuns dos anos 80 capturam tão bem a sensação de desintegração quanto Locust Abortion Technician. Lançado em 1987, o terceiro trabalho dos BUTTHOLE SURFERS soa como uma experiência deliberadamente caótica atravessada por punk, psicodelia, experimentalismos, ruído e humor grotesco.











Foda! Obrigado