Subsensor 10/abr
Novos álbuns do MELVINS + NAPALM DEATH, GNOD, ORGAN, JULIAN HERESY. Novos singles do CLIMA TERRÍVEL, RHODODENDRON, MONO, OTOBOKE BEAVER, 16, BLACK TUSK. O subclássico do PERE UBU.
Abrindo a edição de hoje com uma comemoração: Atingimos a marca de 400 assinantes dessa publicação! Obrigado a todos os leitores, e rumo aos 500!
Chegando a mais uma sexta-feira de lançamentos de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas.
Nessa edição destaco o sludge do MELVINS + NAPALM DEATH, ORGAN, JULIAN HERESY, 16 e BLACK TUSK, o experimental do GNOD, o noise-rock do CLIMA TERRÍVEL e RHODODENDRON, os japoneses do MONO e OTOBOKE BEAVER, o prog do CRIPPLED BLACK PHOENIX.
No Subclássicos dessa semana falei sobre o The Modern Dance (1978) do PERE UBU, álbum pioneiro na transição do punk para o post-punk. Também tem a playlist dos Subclássicos atualizada com (quase) tudo o que já rolou de Subclássicos, ouçam lá.
Os sinais não param. Me sigam lá no Bluesky, Twitter e Instagram.
+ÁLBUNS
MELVINS + NAPALM DEATH — Savage Imperial Death March
Quando duas das bandas mais pesadas do planeta se juntam, já dá pra imaginar o que vem por aí. MELVINS e NAPALM DEATH são duas bandas quase irmãs — seus álbuns de estreia Gluey Porch Treatments e Scum saíram no mesmo ano, 1987 — e fizeram duas turnês em conjunto, a primeira nos anos 90 e a segunda no ano passado. Para divulgar a turnê mais recente, entraram em estúdio, gravaram um EP de seis músicas chamado Savage Imperial Death March e o lançaram em 2025 pela Amphetamine Reptile, somente em vinil. Agora em 2026 finalmente fecham o pacote com um lançamento oficial em vinil e digital, acrescentando duas faixas inéditas e uma nova capa. A considerar pelos singles, o som puxa mais pro lamaçal do Melvins do que pro caos do Napalm Death. A conferir. E não deixem de ler o Subclássico do Houdini e o Subclássico do Scum também.
Ouve essa aqui: “Tossing Coins Into The Fountain Of Fuck”
Savage Imperial Death March é um lançamento Ipecac Recordings, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
GNOD — Chronicles of Gnowt (Vol 1)
Veteranos da psicodelia barulhenta, o GNOD celebra seu vigésimo ano de estrada com nada menos do que três álbuns produzidos juntos na mesma sessão de gravação. Este primeiro volume da trilogia Chronicles of Gnowt promete desde faixas mais tranquilas e pastorais até drones na linha do Earth e um kraut explosivo na linha do Swans. Expectativa bastante alta por aqui.
Ouve essa aqui: “All Tunnel No Light”
Chronicles of Gnowt (Vol 1) é um lançamento Rocket Recordings, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
ORGAN — Immobilism
ORGAN é um quarteto italiano que só pela tag “post-doom” já imediatamente atrai a atenção dessa coluna. E o som é ainda melhor — Immobilism, terceiro álbum dos caras, bebe nas fontes do post-metal instrumental bem na linha de bandas como Cult of Luna e Year Of No Light, perfeito pra emendar com o novo do Neurosis. Espetacular.
Ouve essa aqui: “Dogma”
Immobilism é um lançamento Invisible Order Records, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
JULIAN HERESY — Julian Heresy
Espécie de “supergrupo subterrâneo” que reúne integrantes do Bongzilla, Whippets, Wristwatch e outras, o JULIAN HERESY é um quinteto americano que, segundo o release, faz “riffs cósmicos e lentos tangenciando drone, doom e stoner metal”, e citando influências de Sunn O))), Earth, Steve Reich, King Crimson, John Carpenter, Glenn Branca e Swans. Só pelo primeiro single, uma viagem ácida de quase oito minutos de guitarras lentas e vocais lamacentos, já convenceu essa coluna a separar pra ouvir alto.
Ouve essa aqui: “Emerging From The Quantum Extremal Surface”
Julian Heresy é um lançamento No Coast Recordings, disponível no Bandcamp.
+SINGLES
CLIMA TERRÍVEL — “Linguagem”
CLIMA TERRÍVEL é um trio formado por integrantes que se dividem entre Brasil e Portugal. A distância física batiza Entre Portos, álbum de estreia do trio, e a distância do luto real inspira o primeiro single “Linguagem” (“Enquanto ao pó você volta, a linguagem me abandona”). O som do trio busca referências do noise-rock e post-hardcore de bandas como Jesus Lizard e Ludovic, entregando guitarras tensas e dissonantes. Entre Portos está em processo de mixagem e ainda não tem data prevista de lançamento, aguardamos com alta ansiedade por aqui.
RHODODENDRON — “Like Spitting Out Copper”
RHODODENDRON é um trio americano que faz um noise-rock misturando peso, crescendos e dedilhados matemáticos — a tag “brutal prog” no Bandcamp é um ótimo resumo. “Like Spitting Out Copper” é o segundo single que antecipa Ascent Effort, novo álbum que, segundo o release, traz “riffs que se quebram e se juntam, ritmos que formam padrões e se desfazem, e passagens extensas que criam tensão antes de mudar de direção”. Gostamos. Ascent Effort sai dia 15/mai via The Flenser.
MONO — “Winter Daphne”
Depois de lamentavelmente cancelar sua turnê pela América Latina com uma data confirmada no Brasil, os japoneses do MONO anunciaram o lançamento de seu décimo-terceiro álbum. Snowdrop traz fortemente o tema do luto pessoal, e é antecipado pelo primeiro single “Winter Daphne”, um post-rock com dedilhados, crescendos e arranjos grandiosos típicos da banda. Snowdrop sai dia 12/jun via Temporary Residence e New Noise.
OTOBOKE BEAVER — “I Don’t Need To Be In Your Strike Zone”
Mais um lançamento diretamente do Japão: Depois de fazer dois shows divertidíssimos no Brasil no ano passado, as japonesas do OTOBOKE BEAVER estão de volta com seu primeiro material inédito em quatro anos. “I Don’t Need To Be In Your Strike Zone”, um punk chiclete ligado no 220 que elas fazem tão bem, antecipa Is The New Album Out Yet?, novo EP de três faixas que será lançado aos poucos nos próximos dias, via Damnably.
16 — “Beat My Head Against The Wall”
Depois de lançar o excelente Guides For The Misguided, um dos melhores álbuns de sludge do ano passado, os veteranos do 16 voltam com um proverbial álbum de covers inusitadas. Forgeries Vol 1 (1972-1984) traz versões de clássicos dos anos 70 e 80 de bandas como Black Sabbath, Scorpions, Black Flag e até… Bee Gees. “Beat My Head Against The Wall” é um subclássico do My War do Black Flag (tem até um Subclássico sobre ele aqui) que o 16 converte para a sua lamaceira tradicional. Forgeries Vol 1 (1972-1984) sai dia 01/mai via Heavy Psych Records.
BLACK TUSK — “Crushed By The Weight”
Excelente banda americana de sludge casca-grossa — ou “swamp metal” como eles se denominam —, o BLACK TUSK já tem 20 anos de estrada e sete álbuns no currículo. Para promover uma turnê americana e europeia a banda anunciou um novo EP de três faixas, tendo essa “Crushed By The Weight” (título apropriadíssimo) como primeiro single. Pedrada. Systems of Solitude, o novo EP, sai dia 10/jun de forma independente.
CRIPPLED BLACK PHOENIX — “Vampire Grave”
CRIPPLED BLACK PHOENIX é uma banda meio inclassificável. Liderado por Justin Greaves (ex-Electric Wizard), começaram a carreira se associando à cena post-rock dos anos 2000, talvez por conta do seu primeiro baixista ser o Dominic Aitchison do Mogwai. Depois de algumas pequenas obras-primas (A Love of Shared Disasters de 2007, Night Raider / The Ressurectionists de 2009), trocaram diversas vezes de formação e foram aos poucos focando a sonoridade para um prog com hard rock, como uma espécie de Pink Floyd com mais guitarras. Seguem brilhantes. “Vampire Grave” é o terceiro single que antecede seu já décimo-terceiro álbum, Sceaduhelm, previsto para sair dia 17/abr via Season of Mist.






