Subsensor 17/jul: THIS LONELY CROWD
Novos álbuns do THIS LONELY CROWD, TOMB SLAB, EMPTINESS. Novos singles do GOATEST, BLACK PANTERA, ANATOMY OF HABIT, MASTODON, OREN AMBARCHI. O subclássico do CHROME.
Mais uma sexta-feira de lançamentos de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas.
Nessa edição destaco o post-rock-shoegaze do THIS LONELY CROWD, o sludge do TOMB SLAB e MASTODON, o death do EMPTINESS e GOATEST, o thrash do BLACK PANTERA, o noise-rock do ANATOMY OF HABIT, o experimental do OREN AMBARCHI.
No Subclássicos dessa semana falei sobre o Half Machine Lip Moves (1979), terceiro álbum do CHROME e sua mistura de punk com experimentalismo. Também tem a playlist dos Subclássicos atualizada com (quase) tudo o que já rolou de Subclássicos, ouçam lá.
Para ouvir uma playlist com as faixas dessa edição, Ouve Essa Aqui.
Os sinais não param. Ouça o subterrâneo.
+ÁLBUNS
THIS LONELY CROWD — Eldritch Magnificence
Quinteto curitibano de shoegaze / post-rock / metal que mistura climas atmosféricos com guitarras altas, o THIS LONELY CROWD volta com seu nono álbum em uma carreira ativa desde 2009. Composto por 12 faixas autorais, o álbum alterna entre o shoegaze mais viajante de faixas como "The Joy of Exploring Gardens" e "Mourning Tiny Dears" até as guitarras mais nervosas de "Mimesis" e "Mercurial Fables" e o guitar pop radiofônico de "Melancholethe" e "Sibylina". “Temos que ter a poesia, mas tem que ter a tosqueira”, resume a banda na entrevista abaixo. Leiam enquanto ouvem alto.
Ouve essa aqui: “The Joy of Exploring Gardens”
ENTREVISTA: “Temos que ter a poesia, mas tem que ter a tosqueira”
Entrevista com Erasmo (guitarras, voz) para o Subsensor
Vocês são uma banda bastante ativa em estúdio, já chegando ao nono trabalho (décimo-terceiro se contar EPs e compilação de sobras) em 17 anos de carreira. Mas apesar disso, nunca fazem shows ao vivo. Qual o processo de composição e gravação da banda? Vocês se encontram pra ensaios ou o trabalho é todo remoto?
Desde o começo seguimos o mesmo método de compor/gravar, que foi sendo aperfeiçoado pela falta de tempo e necessidade. Tudo tem que surgir espontaneamente e levar o seu tempo, e muitas vezes coisas ficam guardadas para serem desenvolvidas anos depois. Por exemplo, durante o Möbius And The Healing Process (álbum de 2014) a gente já tinha em mente o tema do Meraki (álbum de 2015). e já havia até mesmo o nome do disco. Quando já temos o conceito do álbum, começamos a organizar riffs. Usamos o velho roteiro batido de “banda de riff”, pois no final das contas, o TLC é uma colcha de retalho de noise/rock/pop/metal. Eu sempre fui o principal compositor, junto com o Luiz (bateria); depois, a Adriana (baixo), que sempre faz alguns riffs e que cria o peso conceitual e emocional. O Filipe (guitarra) e o Lucas (guitarra) ajudam nos arranjos e têm um papel imenso como contrapeso/senso crítico, a ponto de desfazer uma música inteira porque não está “de acordo com o tema”. Assim vamos montando o tracklist, tentando emular uma organização meio literária, de que tem algo sendo contado, com abertura e desfecho. Parece trabalhoso na teoria, mas nem é. Como somos extremamente metódicos, esse fluxo é delicioso de se seguir. Vai levando meses, meses e meses - até entrar na pós-produção, que é quando cai praticamente tudo nas costas do Luiz. Sempre compomos e gravamos de maneira remota e, quando fazíamos shows (lá se vão mais de dez anos), montávamos o setlist e ensaiávamos pra tocar ao vivo. Hoje em dia, ensaios continuam erráticos pela dificuldade de juntar mais que 3/5 do TLC (o Lucas, por exemplo, mora nos EUA desde 2019). Mas já temos a criançada participando cada vez mais ativamente (inclusive na hora de aprovar ou reprovar uma música!!).
Uma característica que chama a atenção no trabalho da banda é o quanto vocês misturam influências diversas, indo do dream pop ao metal extremo às vezes até numa mesma música (ex: “Mimesis”, “Wolves Inside Tora”, “Forlorn Hope”). Quais as influências da banda?
Bom, todo mundo aqui é apaixonado por rock, em várias vertentes. Fomos nos moldando para criar climas distintos numa mesma música, pra trazer o inesperado, sem rabo preso com nada. Temos influências bem aparentes do rock alternativo/independente dos anos 90, do shoegaze, noise; e há muito do post-rock, do art rock e de músicas contemplativas. Só que a gente mastiga tudo com um amor incondicional pelo metal obscuro, extremo, underground, maldito; e com a nostalgia de quando o pop era classudo e soturno. Vai tudo pro liquidificador. As influências dão uma variada de disco pra disco, mas a matriz é a mesma. Temos que ter a poesia, mas tem que ter a tosqueira. É Napalm Death com Depeche Mode, Abba com Conan, Bowie com GG Allin!
Nas notas do álbum vocês citam diversas referências de literatura e cinema dos anos 70. Podem comentar mais sobre isso? E aproveitando: que filme vocês colocariam uma faixa da banda como trilha sonora, e que faixa seria essa?
Eldritch Magnificence quis homenagear dois autores que adoramos: a Ursula K. Le Guin e o Jim Henson. Eles inspiraram praticamente todos os títulos e letras, com exceção do fechamento, onde retornamos ao R. L. Stevenson (sempre é referenciado na nossa obra). Mas o que engrossou o caldo mesmo foi o cinema fantástico-sombrio dos anos 70. Então filmes maravilhosos como El espíritu de la colmena, Valerie a týden divu, Čarodějův učeň (Krabat - Aprendiz de Feiticeiro), Viy (esse é do final dos 1960), Bröderna Lejonhjärta, Watership Down, Wizards, Stalker foram vistos e revistos. Duna do Jodorowsky, que não chegou a existir, também foi muito contemplado. Ou seja, caos absoluto. Escolher uma faixa seria impossível - teríamos que fazer a trilha inteira!!! Seria Dark Crystal, com certeza. É onde queremos a nossa música, em uma fantasia horrenda e maravilhosa, cheia de contradições, assustadora, reflexiva, apaixonada. Tem escuridão, mas há esperança. Podemos ficar horas e horas, discos e discos falando sobre isso.
Eldritch Magnificence é um lançamento Sinewave, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
TOMB SLAB — Tomb Slab
Quarteto britânico de blackened sludge metal, o TOMB SLAB descreve seu álbum de estreia auto-intitulado como “6(.66) faixas de sludge noventista com letras inspiradas nos clássicos do terror dos anos 80 e 90”. A julgar pelos singles, a banda mergulha no lodaçal mais sujo, declaradamente influenciados por bandas como Iron Monkey, Eyehategod, Grief e Noothgrush. Sonzão.
Ouve essa aqui: “The Butcher”
Tomb Slab é um lançamento Road To Masochist, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
EMPTINESS — Nowhere Speaks
Veterano quinteto belga de black-death já com duas décadas de carreira, o EMPTINESS volta com seu sétimo álbum, o primeiro em cinco anos. Nowhere Speaks retoma uma pendência aberta desde 2014, quando encerraram o álbum Nothing But The Whole no meio de um riff, quase à la Sopranos. Doze anos depois a banda retoma o riff, preenche o novo álbum com dez faixas de um black/death experimental, estranho e quase inacessível, e encerra o álbum conectando novamente no riff de abertura do álbum anterior, desenhando uma espécie de loop de doze anos de separação.
Ouve essa aqui: “The Clash of Forces”
Nowhere Speaks é um lançamento Season of Mist, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
+SINGLES
GOATEST — “Unseen Powers”
O lendário TEST, dupla de death-grindcore paulista, já está quase se especializando em gravar colaborações e splits com outros nomes — o mais recente é Sem Esperanças (2025) com o também lendário Deafkids. A colaboração da vez é o GOATEST, projeto no qual a dupla viajou até a Finlândia pra gravar um EP com os locais do GOATBURNER. “Unseen Powers” é o single que antecipa GoaTesT, o álbum que resulta dessa colaboração, e que sai dia 23/set via Time To Kill Records.
BLACK PANTERA — “Start The Game”
Um dos nomes que mais se destacam nas guitarras altas da cena nacional, o BLACK PANTERA anuncia o lançamento do seu já quinto álbum de estúdio. Continental é antecipado pelo primeiro single “Start The Game”, no qual o trio usa a metáfora de jogos de videogame para sintetizar seu discurso forte e combativo contra o sistema e suas desigualdades. Continental sai dia 21/ago via Deck.
ANATOMY OF HABIT — “Paired Sentinels”
Excelente banda de Chicago, EUA, o ANATOMY OF HABIT faz uma mistura explosiva de post-punk, doom metal, industrial, noise-rock e shoegaze. “Paired Sentinels” é a faixa-título e segundo single que antecipa seu quinto álbum Paired Sentinels, apostando em temas mais soturnos com trechos intensos na melhor escola Swans. Expectativa imensa por aqui já. A banda não disponilizou a faixa para streaming de forma aberta, apenas uma premiere fechada no site da Decibel aqui. Paired Sentinels sai dia 31/jul de forma independente.
MASTODON — “Snakes For Dinner”
Depois de perder o vocalista Brent Hinds por desavenças artísticas, e depois da sua trágica morte em um acidente de moto poucos meses depois, o MASTODON voltou ao estúdio e gravou “Your Ghost Again”, uma merecida homenagem ao ex-vocalista. A banda agora anuncia que o novo álbum, Marrow Deep, é inteiro dedicado ao ex-vocalista, e antecipa mais um single, “Snakes For Dinner”, seguindo a linha sludge-progressiva de sempre. Marrow Deep sai dia 28/ago via Loma Vista Recordings.
OREN AMBARCHI — “Hidden Tableau (excerpt)”
OREN AMBARCHI é um veterano guitarrista australiano já com dezenas de títulos lançados de forma solo e colaborações com outros músicos. “Hidden Tableau (excerpt)” é um trecho que antecipa Cooked, seu novo álbum formado por duas longas faixas climáticas e experimentais que ocupam todo o lado de um vinil. Cooked sai dia 25/set via Drag City.
+SUBCLÁSSICO
Subclássicos: CHROME — Half Machine Lip Moves (1979)
No fim dos anos 70, enquanto o punk começava a se fragmentar em dezenas de novas linguagens, Half Machine Lip Moves, terceiro álbum do Chrome, apontava para um futuro que ainda levaria anos para ser compreendido. Lançado em 1979, o álbum transforma guitarras, sintetizadores, fitas manipuladas e efeitos eletrônicos em uma massa sonora fora do comum, cria…







