Subsensor 23/jan
Novos álbuns do KOVTUN, VOID SINKER, DEATH CULT e GYLT. Novos singles do SPETÄLSKA e LIGHTNING BOLT. O subclássico do COIL. +Álbuns. +Singles. +Sinais
Chegando a mais uma sexta-feira de lançamentos de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas.
Nessa edição destaco (com direito a mini-entrevista!) o post-black-metal do KOVTUN, o doom-sludge-drone do VOID SINKER, o hardcore do DEATH CULT e GYLT, o post-punk do SPETÄLSKA, o noise-rock do LIGHTNING BOLT, e mais um monte de coisa legal nos sensores.
No Subclássicos dessa semana falei sobre o Scatology (1992), álbum de estreia do COIL, marco do rock industrial dos anos 80. Também tem a playlist dos Subclássicos atualizada com (quase) tudo o que já rolou de Subclássicos, ouçam lá.
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ÁLBUNS DA SEMANA
KOVTUN — Black Goat
Projeto do noisemaker paulista Raphael Mandra, KOVTUN costuma explorar cantos subterrâneos diversos. Enquanto boa parte da sua discografia conecta dark ambient, música eletrônica e inspiração em trilhas sonoras, em Black Goat, seu vigésimo-primeiro álbum (sem contar seus outros projetos Dosanjos e Rádio Morto), Mandra muda a formação de um projeto solo para uma banda e juntos exploram referências do post-metal do Isis e Neurosis, do black metal do Imperial Triumphant e Oranssi Pazuzu, e até do jazz mais experimental do Pharoah Sanders e Miles Davis. E tanto na estética eletrônica quanto metal, Mandra segue desenhando mosaicos sonoros de tensão e estranheza. O resultado é um álbum que explora os crescendos do post-metal, os extremos do black metal, as dissônancias do jazz e os climas do dark ambient, tudo em igual medida. Black Goat é desses álbuns que misturam os detalhes e pedem audições atentas e em volume alto.
Ouve essa aqui: “Wounds & Revelations”
Confiram a entrevista abaixo com Raphael Mandra, onde ele explica as influências do álbum, a mudança de formação, suas inspirações e referências.
3 PERGUNTAS: KOVTUN
SUBSENSOR: Black Goat é bem diferente dos outros álbuns, apostando mais no black metal e post-metal do que os anteriores mais eletrônicos. Como foi essa transição? Quais as influências que vocês tiveram com esse trabalho?
KOVTUN: Essa transição aconteceu de forma bastante natural. Nós já temos um projeto mais diretamente ligado ao black metal, o Dosanjos, então a incorporação de elementos mais extremos no Kovtun foi quase um passo inevitável mesmo. Há algum tempo já entendemos que nossos projetos paralelos acabaram se fundindo conceitualmente, e a tendência daqui pra frente é lançar tudo sob o nome Kovtun. Quando decidimos voltar a trabalhar com instrumentos mais orgânicos, pensamos imediatamente em chamar o Jorge Mourthé (músico colaborador no álbum) novamente, pois queríamos explorar instrumentos de sopro e piano. Durante o processo, circulavam muito no nosso grupo de zap referências como Moondog, Pharoah Sanders e Miles Davis. Ao mesmo tempo, estávamos ouvindo e trocando bastante sobre bandas como Isis, Neurosis, Pelican, The Ocean, Godspeed You! Black Emperor e Mogwai, que influenciaram diretamente as faixas com uma abordagem mais post-metal. Já a vertente mais black metal veio principalmente de mim e do Abel, que somos os que mais escutam o gênero dentro do grupo. O black metal norueguês, além de bandas como Imperial Triumphant e Oranssi Pazuzu, estava muito presente na nossa cabeça durante a produção de Black Goat.
SUBSENSOR: Kovtun agora é uma banda, ou continua um projeto solo seu? Pretendem fazer shows com essa formação?
KOVTUN: Eu diria que hoje o Kovtun é as duas coisas. No momento das gravações, somos quatro pessoas trabalhando juntas, e todos contribuem criativamente, então, nesse sentido funciona como uma banda. Já pensamos diversas vezes em levar essa formação para o palco mas, na prática, isso acaba sendo pouco viável atualmente, já que cada integrante mora em uma cidade diferente e com distâncias consideráveis entre si, o que torna os ensaios muito difíceis. Ainda assim, olhando para os dezessete anos de existência do Kovtun, posso dizer com tranquilidade que este é o momento em que o projeto mais se aproxima da ideia de uma banda de fato, nós quatro gostamos muito de fazer música juntos e vamos seguir assim.
SUBSENSOR: Sempre achei que o Kovtun tem um potencial enorme pra trilhas sonoras, todo álbum seu me faz criar cenas imaginárias de filmes enquanto ouço. Por exemplo, “All Good People” do Unlove é uma abertura pronta de série de suspense. Quero propor esse exercício pra você: que cena de filme ou série, real ou imaginária, você colocaria uma faixa sua? E que faixa seria essa?
KOVTUN: Agradeço muito essa pergunta, porque eu amo cinema e séries. Trent Reznor, Angelo Badalamenti e Hans Zimmer são referências constantes pra mim. Ao longo dos anos, consegui inserir algumas músicas em curtas-metragens, e adoraria trabalhar em um longa, especialmente compondo diretamente a partir de um roteiro. Definitivamente, um sonho pessoal seria ter uma faixa em uma produção do David Lynch, infelizmente, algo que já não poderá acontecer. Mas entrando no exercício que você propôs, vou ser ousado e responder com músicas do Black Goat: “Lost Epiphanies” em Twin Peaks, “Pale Blue Dot” em Cidade dos Sonhos e “The Invisible Spiral” em O Iluminado, do Kubrick. [N. do E.: eu acrescentaria as godspeedianas “Wounds & Revelations” e “The Light That Never Comes” em alguma cena distópica pós-humana, qualquer uma].
Black Goat é um lançamento Sinewave, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
VOID SINKER — Depth
VOID SINKER é um projeto de doom-sludge-drone de um músico italiano chamado Guglielmo Allegro. Depth, seu novo álbum, faz parte de uma trilogia formada por Echoes from the Deep e Creatures, ambos lançados em 2025. O som é um paquiderme de uma hora e meia de riffs lentos e soturnos na melhor escola Bongripper. Ou como ele mesmo explica no release, “uma obra monolítica de puro drone doom sludge metal”. Excelente.
Ouve essa aqui: “Depth”
Depth é um lançamento independente, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
DEATH CULT — Death Cult
Trio francês de sludge-hardcore, o DEATH CULT (não confundir com a formação homônima do The Cult) é tão obscuro que mal tem informação disponível por aí. O que se sabe é que lançaram um EP em 2016, um single em 2020 e este Death Cult é seu primeiro álbum full. O som fala por si só — uma pedrada hardcore que aponta até influências de death metal — a tag “morbid angel” no Bandcamp entrega.
Ouve essa aqui: “Cradle of Doom”
Death Cult é um lançamento independente, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
GYLT — In 1,000 Agonies, I Exist
O título (“em milhares de agonias, eu existo”) é uma citação de Os Irmãos Karamazov, clássico da literatura existencialista do Dostoiévski. Mas de existencialismo aqui tem pouco — o GYLT aposta no hardcore mais casca-grossa, com oito pedradas sludge-crust que mal passam de 10 minutos no total. Discão.
Ouve essa aqui: “Wrought/Rot”
In 1,000 Agonies, I Existe é um lançamento Get Better Records, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
+ÁLBUNS / EPs
PELICAN — Ascending
#post-metalSACRI SUONI — Time To Harvest
#sludge-doom-metalSAD WHISPERINGS — The Hermit
#death-doom-metalCOLOSSAL RAINS — Feral Sorrow
#post-hardcore-alternative-metal-grungeGRAVES FOR GODS — Last Light Fades
#doom-death-metalGUYOD — Death Throes Of A Drowning God
#doom-death-metalIN LACRIMAES ET DOLOR — Autumn
#atmospheric-funeral-doom-metalLIGATION — After Gods
#death-doom-metal-noiseNEW MEXICAN DOOM CULT — Ziggurat
#stoner-doom-metalSLOWREPEAT — Aqua Haze
#doom-stoner-metalTEMPTRESS — Hear
#doom-stoner-post-metalRITUAL ARCANA — Ritual Arcana
#stoner-metalTHE DAMNED — Not Like Everybody Else
#punk-rockPVA — No More Like This
#indie-rockEARTH, BLACK NOI$E — Earth x Black Noi$e - Geometry of Murder: Extra Capsular Extraction Inversions
#drone-metal-experimental
SINGLES DA SEMANA
SPETÄLSKA — “Nostalgia”
SPETÄLSKA é um trio sueco de post-punk e death-rock com uma forte conexão com o Brasil — Luiz Freitas, baterista, foi ativo na cena post-rock-shoegaze brasileira nos anos 00, tendo sido baterista da Gray Strawberries, Duelectrum e Old Magic Pallas e co-fundador do selo Sinewave. Depois de emigrar para a Suécia, Luiz montou uma banda com fortes climas oitentistas e guitarras altas, perfeita para dançar em um inferninho enfumaçado virado para a parede. “Nostalgia” é um single avulso, o segundo depois do álbum de estreia Dö Som Boskap lançado em 2024. É aguardar pra ver se vem álbum novo por aí.
LIGHTNING BOLT — “CLOUD CORE”
Uma das duplas mais insanas em atividade hoje, o LIGHTNING BOLT anuncia um split com o OOIOO, projeto da YoshimiO, conhecida como a baterista do Boredoms e personagem protagonista do Yoshimi Battles The Pink Robots, álbum do Flaming Lips. Em “CLOUD CORE” o Lightning Bolt faz o que faz melhor: um noise-rock alucinado na melhor linha segura-o-baterista-que-ele-vai-ter-um-troço. THE HORIZON SPIRALS / THE HORIZON VIRAL, o tal split, sai dia 24/abr via Thrill Jockey.
+SINGLES
SUGAR — “Long Live Love”
THE 113 — “Leach”
AND ALSO THE TREES — “The Silver Key”
SAVAGES — “Paranoid”
THE MON — “Incantation”
ROMAN CANDLE — “Can We Watch Something Happy?”
STEPHEN BRODSKY — “Ferret”
JEGONG — “Parallel Tracks”
DECEPTACON — “A Exterminadora”
MALUM — “In Gloom II”
MNIMA — “Endless Void of Negativity”
WITCH RIPPER — “The Portal”
GRAIL GUARD — “Anxieties”
MOTORPSYCHO — “The Gaia II Space Corps”
SUBCLÁSSICO DA SEMANA
+SENSORES
30/jan:
COLOR FOR SHANE — Um Milhão de Coisas
ODRADEK — Horror Vacui
BUZZCOCKS — Attitude Adjustment
06/fev:
MANDY, INDIANA — URGH
MAYHEM — Liturgy of Death
13/fev:
FOSSILIZATION — Advent of Wounds
CONVERGE — Love Is Not Enough
27/fev:
HEY COLOSSUS — Heaven Was Wild
NOTHING — A Short History of Decay
DEATHCRASH — Somersaults
06/mar:
BITTER BRANCHES — Let’s Give The Land Back To The Animals
13/mar:
SOFT MACHINE — Thirteen
KIM GORDON — Play Me
20/mar:
BONG-RA — Esoterik
27/mar:
THE TWILIGHT SAD — It’s The Long Goodbye
AND ALSO THE TREES — The Devil’s Door
03/abr:
SUNN O))) — sunn O)))
24/abr:
LIGHTNING BOLT, OOIOO — The Horizon Spirals / The Horizon Viral
+SINAIS
BRASIL
This Lonely Crowd, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Ludovic, Sky Down, Finis Hominis, Lizard Cult, Mityma
MUNDO
Triptykon, Electric Wizard, King Crimson, Russian Circles, Björk, Gorguts, Ministry, Bosse-de-Nage, Crippling Alcoholism, Death Grips, Drop Nineteens, Immolation, King Gizzard & The Lizard Wizard, Massive Attack, Mastodon, Protomartyr, Sugar, The Afghan Whigs, The Cure, The Flaming Lips, Black Flag, Napalm Death







