Subsensor 27/fev
Novos álbuns do HEY COLOSSUS, SUNCUTS, BLUNT KNIFE CASTRATION, AND ALSO THE TREES. Novos singles do THE 113, TWILIGHT SAD, SEPULTURA, THE MON, OOIOO. O subclássico do MOTHERS OF INVENTION.
Chegando a mais uma sexta-feira de lançamentos de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas.
Nessa edição destaco o noise-rock do HEY COLOSSUS, o noise-jazz do SUNCUTS, o sludge do BLUNT KNIFE CASTRATION, o indie-post-punk do AND ALSO THE TREES, DEATHCRASH, THE 113 e THE TWILIGHT SAD, o thrash do SEPULTURA, e o experimentalismo do THE MON, OOIOO e IRMIN SCHMIDT.
No Subclássicos dessa semana falei sobre o We’re Only In It For The Money (1968) do MOTHERS OF INVENTION, álbum onde Frank Zappa sacaneia toda a contracultura hippie. Também tem a playlist dos Subclássicos atualizada com (quase) tudo o que já rolou de Subclássicos, ouçam lá.
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+ÁLBUNS
HEY COLOSSUS — Heaven Was Wild
Excelente banda inglesa na ativa desde 2003, o HEY COLOSSUS é meio inclassificável: dá pra captar elementos de post-punk, psych-rock, noise-rock e até rock clássico no som deles. Heaven Was Wild já é seu décimo-quinto álbum, e o som vai desde o indie rock torto até paredes de guitarras na melhor escola Sonic Youth. No release eles se posicionam de forma genial sobre a atual cenário da música: “A indústria da música está em pedaços. Hey Colossus não fazem parte da indústria da música”. Subsensor também não, estamos juntos nessa.
Ouve essa aqui: “Cannibal Forecast”
Heaven Was Wild é um lançamento Wrong Speed Records / Learning Curve Records, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
SUNCUTS — Collective Heliophobic Dream
SUNCUTS é um trio de noise-jazz multinacional que reúne o músico russo Anton Ponomarev no saxofone, o suíço Maxime Hänsenberger na bateria e o brasileiro Felipe Zenicola (Chinese Cookie Poets) no baixo e produção. O trio aposta na improvisação livre, misturando jazz, noise, avant-rock e catarse emergente, no que o release resume como “ritmos emergindo do caos apenas para se dissolverem imediatamente”. Collective Heliophobic Dream reúne cinco registros dessas sessões de improvisação, ou como eles mesmos dizem, “rituais sônicos”. A tag “brutal jazz” cabe perfeitamente aqui.
Ouve essa aqui: “Maw”
Collective Heliophobic Dream é um lançamento Unit Records, disponível no Spotify e demais plataformas.
BLUNT KNIFE CASTRATION — Blood & Oil
BLUNT KNIFE CASTRATION é um projeto solo de um músico inglês chamado Simon Bryant. Segundo o release, Blood & Oil, seu segundo álbum, “se inspira na sordidez e na obscenidade dos filmes de terror dos anos 70 e 80 com a música subterrânea dos anos 90 e 2000, misturando elementos de metal, noise rock, doom, crust punk e sludge”. Como se não bastasse, ainda citam Buzzov•en, Eyehategod, Swans, Cherubs e Neurosis como influências. Já viraram favoritos dessa coluna antes mesmo do primeiro play.
Ouve essa aqui: “Guilt Pig”
Blood & Oil é um lançamento Remorseless Records, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
AND ALSO THE TREES — The Devil’s Door
Veterana banda inglesa na ativa desde 1979, o AND ALSO THE TREES tem no currículo uma parceria próxima com o The Cure — além de terem compartilhado palcos no início de carreira, Robert Smith e Lol Tolhurst produziram os primeiros materiais da banda. O som segue a linha “rock inglês classudo” ali entre o Roxy Music, o Echo & The Bunnymen e o Pulp. The Devil’s Door já é seu décimo-sétimo álbum, e vale a conferida.
Ouve essa aqui: “The Silver Key”
The Devil’s Door é um lançamento independente, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
DEATHCRASH — Somersaults
Banda inglesa de slowcore com uma pitada de emo e outra de post-rock, o DEATHCRASH chega ao seu já quarto álbum. Somersaults tem aquela pegada lenta de dedilhados introspectivos com belos crescendos, seguindo a escola Low, Codeine e o Mogwai dos primeiros discos. Perfeito para ser ouvido numa tarde chuvosa.
Ouve essa aqui: “Somersaults”
Somersaults é um lançamento untitled (recs), disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
+SINGLES
THE 113 — “Scour”
THE 113 é um quarteto inglês que faz aquele post-punk neurótico e agressivo que se joga com os dois pés no noise-rock. “Scour” é o segundo single que antecipa The Hedonist, EP com quatro faixas mixadas por Daniel Fox do Gilla Band, e que segundo o release, “serve tanto para o moshpit na frente do palco quanto para a galera mais tímida no fundo”. Excelente. The Hedonist sai dia 17/abr via Launchpad+.
THE TWILIGHT SAD — “Attempt a Crash Landing - Theme”
Uma das melhores bandas da safra 00-10 do indie escocês, o TWILIGHT SAD é quase a banda oficial de abertura das turnês do The Cure pelo mundo, tendo sido inclusive escalados para tocar no Brasil com o Cure em 2023 quando infelizmente tiveram de cancelar. A banda mistura uma base post-punk com guitarras altas, efeitos eletrônicos e um forte vocal grave, resultando em uma espécie de shoegaze intenso de alta octanagem. “Attempt a Crash Landing - Theme” é mais um single que precede It’s The Long Goodbye, novo álbum que promete participação do próprio mentor Robert Smith tocando guitarras, synths e baixo em três faixas. It’s The Long Goodbye sai dia 27/mar via Rock Action.
SEPULTURA — “The Place”
Primeiro single de The Cloud of Unknowing, EP que promete ser o derradeiro do SEPULTURA, “The Place” surpreende por trazer um clima mais lento e sombrio na primeira metade, antes de cair pro thrash costumeiro da banda. “The Place” também é a primeira faixa gravada pelo novo baterista Greyson Nekrutman (ex-Suicidal Tendencies). The Cloud of Unknowing terá quatro faixas e sai dia 24/abr via Nuclear Blast Records.
THE MON — “A Perlescent Pulse of Light”
THE MON é um projeto solo de um artista italiano chamado Urlo, mais conhecido como vocalista e baixista de excelente banda Ufomammut. Enquanto a banda principal faz um stoner-sludge de responsa, o The Mon vai para um caminho mais experimental, misturando drones, noise e dark folk. “A Perlescent Pulse of Light” é o terceiro single que precede Songs of Embrace, seu novo álbum que sai dia 06/mar via Supernatural Cat.
OOIOO — “Gamel BE SURE TO SPIRAL”
OOIOO é um projeto capitaneado pela YoshimiO, conhecida como a baterista dos Boredoms e personagem protagonista do Yoshimi Battles The Pink Robots, álbum do Flaming Lips. Nas horas livres do Boredoms, Yoshimi gravou duas faixas para um split com os noiseniks alucinados do Lightning Bolt. Enquanto a dupla americana desde a lenha no seu costumeiro noise-rock, a artista japonesa vai para uma linha mais psicodélica, se aproximando das viagens do próprio Flaming Lips. THE HORIZON SPIRALS / THE HORIZON VIRAL, o tal split, sai dia 24/abr via Thrill Jockey.
IRMIN SCHMIDT — “Requiem (excerpt)”
IRMIN SCHMIDT é um músico alemão que vem dedicando sua carreira de mais de 50 anos na música experimental e vanguardista, talvez sendo mais conhecido como um dos fundadores do Can, aquela entidade do experimentalismo alemão conhecida como krautrock. Schmidt, na ativa até hoje, acaba de anunciar um novo trabalho chamado Requiem, no qual ele compõe peças de piano preparado com gravações de campo, criando o que o release apresenta como “espaços liminais onde piano e natureza travam diálogos silenciosos”. Requiem sai dia 24/abr via Mute Records.







