Subsensor 10/jul: LIZARD CULT + LŌTICO
Novos álbuns do LIZARD CULT + LŌTICO, HARI MAIA, MAQUINA., WAILIN STORMS, XIU XIU. Novos singles do THIS LONELY CROWD, SKY DOWN, CHAT PILE, GILLA BAND, FOREIGN BODY, FAUST. O subclássico do HOLE.
Mais uma sexta-feira de lançamentos de noise-rock, metal extremo, post-rock, noise, experimental e outras tags subterrâneas.
Nessa edição destaco o sludge-post-metal do LIZARD CULT e LŌTICO, o eletrônico do HARI MAIA, o noise-rock-motorik do MAQUINA., o doom-punk do WAILIN STORMS, o shoegaze do THIS LONELY CROWD e SKY DOWN, o noise-rock do CHAT PILE, GILLA BAND e FOREIGN BODY, o experimental do XIU XIU, OSCILLOTRON e FAUST.
No Subclássicos dessa semana falei sobre o Pretty On The Inside (1991), álbum de estreia do HOLE. Também tem a playlist dos Subclássicos atualizada com (quase) tudo o que já rolou de Subclássicos, ouçam lá.
Para ouvir uma playlist com as faixas dessa edição, Ouve Essa Aqui.
Os sinais não param. Ouça o subterrâneo.
+ÁLBUNS
LIZARD CULT, LŌTICO — Split
Duas das bandas mais intensas do subterrâneo paulista acabam de soltar um split conjunto com uma faixa de cada. “Samsara” é uma faixa inédita do LIZARD CULT, quarteto de sludge-doom que infelizmente encerra sua curta carreira com esse lançamento e um show de despedida. Já “Redenção” é também uma faixa inédita do LŌTICO, quinteto de post-metal que ganhou um ótimo destaque com Oran, seu álbum full de 2023. O release do split é direto: “Da calmaria à explosão, tudo o que se pode esperar de expoentes tão marcantes do sludge e post metal nacional”. Longa carreira à lōtico, e que o hiato do Lizard Cult seja breve.
Ouve essas aqui: “Samsara” (Lizard Cult), “Redenção” (lōtico)
Split é um lançamento independente, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
HARI MAIA — Amado Pai (Original Motion Picture Soundtrack)
Amado Pai é um filme de terror nacional dirigido por Leo Miguel, que depois de passar pelo circuito de cinemas e festivais, já está disponível em diversas plataformas para aluguel e compra. A trilha do filme é assinada pelo paulista HARI MAIA, produtor e compositor com diversos trabalhos lançados na seara da música eletrônica, experimental e ambient.
Ouve essa aqui: “Amado Pai (Créditos Finais)”
Amado Pai (Original Motion Picture Soundtrack) é um lançamento KG Network, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
MAQUINA. — BODY TRANSMISSION
MAQUINA. é um trio português que, segundo o próprio release, faz uma espécie de “viagem headbanging de noise-rock, metal motorik e punk industrial, fazendo punks dançarem e clubbers pogarem”. Depois de uma turnê pelo Brasil e uma ótima apresentação na KEXP, a banda volta com seu segundo álbum, com faixas que juntam batidas secas com guitarras ácidas e abrasivas, como uma espécie de Sonic Youth encontrando o LCD Soundsystem.
Ouve essa aqui: “simulation”
Body Transmission é um lançamento Fuzz Club, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
WAILIN STORMS — The Arsonist
Quarteto americano de doom-southern-rock, o WAILIN STORMS faz uma inusitada mistura de climas góticos com doom-punk e um tal de “swamp-rock” que combina bem com os pântanos do sul dos EUA. A banda cita como referências desde a literatura da Flannery O’Connor até o psych-punk do Destruction Unit, o gótico do Bauhaus e o noise-rock do Jesus Lizard.
Ouve essa aqui: “You Never Answered”
The Arsonist é um lançamento Season of Mist, disponível no Bandcamp, Spotify e demais plataformas.
XIU XIU — Eraserhead Xiu Xiu
XIU XIU não é novato no universo David Lynch — Xiu Xiu Plays the Music of Twin Peaks, lançado em 2016, já prestava um tributo ao genial diretor. Agora é a vez da dupla homenagear Eraserhead, filme de estreia de Lynch cuja trilha sonora, composta pelo próprio diretor, é considerada um dos precursores do gênero dark ambient. Eraserhead Xiu Xiu foi uma performance apresentada em 2025 com a dupla fazendo a trilha ao vivo durante a projeção do filme, usando ruídos, gravações de campo, synths e elementos da música concreta para expressar o horror e surrealismo do filme original. “In Heaven”, a singela balada originalmente cantada por Laurel Near, ganha a voz barítona e ainda mais perturbadora do Jamie Stewart.
Ouve essa aqui: “In Heaven”
Eraserhead Xiu Xiu é um lançamento Polyvinyl Records, disponível no Bandcamp.
+SINGLES
THIS LONELY CROWD — “Mimesis”
Quinteto curitibano de shoegaze / post-rock / metal que mistura climas atmosféricos com guitarras altas, o THIS LONELY CROWD volta com seu nono álbum em uma carreira ativa desde 2009. Após a viagem melancólica do primeiro single “The Joy of Exploring Gardens”, o This Lonely Crowd leva o segundo single “Mimesis” para um caminho mais sombrio, alternando riffs quebrados e agressivos com um refrão leve e melodioso, refletindo os conflitos que enfrentamos entre realidade e fantasia. Ouçam alto. Eldritch Magnificence sai dia 17/jul via Sinewave.
SKY DOWN — “Lambs & Mirrors”
Um dos nomes mais fortes do subterrâneo barulhento paulista, a dupla SKY DOWN retorna com novo material três anos após Lethargy, seu segundo álbum lançado em 2023. “Lambs & Mirrors”, uma avalanche de guitarras perfeitas para treinar air guitar tocando junto, antecipa Sky Down, seu novo EP que sai dia 28/jul de forma independente.
CHAT PILE — “PEN I S MALL”
CHAT PILE é uma das bandas que mais se destacam na atual cena noise-rock dos últimos anos, tendo seus dois álbuns furado a bolha e entrado em listas de final de ano de diversos sites de renome por aí. Depois de uma colaboração recente com o músico texano Hayden Pedigo, a banda volta agora com Who Loves The Sun, antecipado pelo segundo single “PEN I S MALL”. Segundo o release, “o álbum disseca o estado de apatia e inflado da existência do século XXI como um apocalipse em câmera lenta”. Pode vir. Who Loves The Sun sai dia 04/set via The Flenser.
GILLA BAND — “Placeholder”
Excelente quarteto dublinense de noise-rock abrasivo e alucinado, o GILLA BAND volta com o primeiro material novo desde Most Normal, álbum de 2022. "Placeholder" é o segundo single que antecipa Pugnello, quarto álbum dos caras. O release é certeiro: “A banda aperfeiçoou uma visão que não era bem pós-punk, nem bem noise-rock, nem bem qualquer outra coisa além de um híbrido idiossincrático e inovador que só poderia ter surgido daquele quarteto”. Pugnello sai dia 25/set via Rough Trade.
FOREIGN BODY — “Trophy”
Mais uma banda que usa a ótima tag “scum rock” no Bandcamp, o FOREIGN BODY faz um noise-rock sujo e direto, ou como eles mesmos dizem no release, “raw, hideous and vulgar music”. Libertine já é o segundo álbum dos caras, e se já não bastasse a violência de “Trophy” e a capa não muito publicável, ainda citam Brainbombs, Couch Slut, Rectal Hygienics, Unsane, Chat Pile e The Birthday Party como influências. Excelente. Libertine sai dia 11/set via Brutal Panda Records.
OSCILLOTRON — “Rock Elektroniczny”
Projeto de “ambient doom” de um músico chamado David Johansson, o OSCILLOTRON conecta os synths viajantes de pioneiros da eletrônica como Wendy Carlos e Tangerine Dream com o doom metal do seu projeto anterior Kongh, resultando numa espécie de trilha sonora para os horrores do H.P. Lovecraft. “Rock Elektroniczny” é um single avulso que vai mais na linha motorik do Neu! e Cluster fase Zuckerzeit boa pra virar hit de videogame.
FAUST — “Big Field” / “Diabolus In Musica” / “Hörst du die Schritte” / “Zerfallen Tell II”
Não é de hoje que o FAUST, essa entidade do krautrock alemão, gosta de confundir os fãs — durante décadas circularam álbuns e shows de várias formações diferentes e paralelas, todas sob o mesmo nome Faust. A nova é que integrantes e ex-integrantes originais se juntaram para lançar quatro álbuns solo simultâneos, todos sob o nome Faust — se o Kiss e o Melvins podem, eles também podem. Hans-Joachim Irmler com seu Unbegunden, Jean-Hervé Péron com seu MOI, Gunther Wüsthoff com seu Fliegen Lernen, e Werner “Zappi” Diermaier (o único integrante fixo desde o início) com seu Gugaruz vão mostrar, cada um à sua maneira, como contribuíram para fazer do Faust um dos principais nomes do experimentalismo alemão das últimas cinco décadas. Unbegunden, MOI, Fliegen Lernen e Gugaruz saem todos dia 26/set via Bureau B.
+SUBCLÁSSICO
Subclássicos: HOLE — Pretty On The Inside (1991)
Antes de se tornar uma das figuras mais midiáticas do rock dos anos 90, Courtney Love surgiu no subterrâneo americano com um álbum que parecia deliberadamente hostil à ideia de acessibilidade. Pretty On The Inside, estreia do HOLE lançada em 1991, mistura punk, noise-rock e caos emocional em um registro abrasivo que se distancia bastante da sonoridade m…









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